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Escreve:
Ricardo Brizuela, diretor do Jornal do Vinho.
Estive
percorrendo no mês de abril passado alguns chateau e
pequenas vinícolas em Bordeaux (França)
e me chamou a atenção a oferta de vinho rosado,
de excelente qualidade e preços que, na origem, não
ultrapassavam três euros.
Como
membro do tribunal no Concours Mundial de Bruxelles,
poucos dias antes, tinha me dado uma boa impressão
a qualidade de vários vinhos desta cor provados em
dias diversos; e num jantar particular oferecido pelo meu
amigo Alfredo Ruiz, dono do Chateau
Fonchereau de Burdeos, ele nos deliciou com seu vinho
rosado, que finalmente foi premiado duas vezes.
Obviamente,
estes fatos me fizeram lembrar de experiências distintas
com este vinho, na Argentina e no México,
onde ocasionalmente é possível saborear um bom
produto, a pesar de que no último verão pude
sim desfrutar em Mendoza de um Ópera
Prima de boa feitura, e alguna outra boa marca (lembro
especialmente de um excelente rosado da Bodega
–vinícola- Norton). O calor
mendozino era propício então para o deleite
destes excelentes produtos.
Não
obstante, agora vou recebendo notícias da Europa que
contam que o vinho rosado é a estrela do verão.
Ele
precisa de um tratamento especial. Vincent Borne,
provador de Paris, diz: “Para fazer um rosado, o
método principal, o mais antigo, é o ‘descube’
(ou ‘descubamento’) que, para simplificar, consiste
no seguinte: retira-se rapidamente o mosto da cuba de fermentação,
antes de que se tinja com as matérias”,
embora Borne faça a advertencia de que “existe
atualmente um método mais moderno, chamado de ‘prensa’,
que utiliza as novas prensas pneumáticas”.
Vale
esta ressalva porque antigamente conseguia-se um rosado a
que se chamava de “clarete”,
produto de um elementar processo de mistura dos vinhos branco
e tinto. Obviamente, a qualidade que se obtinha protelou-o
à preferência de consumidores de pouca significância.
Hoje,
tanto o vinho obtido em prensa quanto o de descube estabelecem
as diferenças. Borne explica a mudança desta
maneira: “Aproveitando os grandes avanços
nos métodos de vinificação, (o rosado)
ganhou qualidade e agora atrai os olhares de uma freguesia
que antigamente lhe fazia caretas e que hoje se encoraja para
lhe pôr preço: de seis a oito euros por um bom
rosado de Languedoc, e mais de dez euros por algunas ‘estrelas’
do litoral de Provence ou Bandol. Para a isto se chegar foi
necessário também que os viticultores mexeram
na cor: mesmo não tendo relação certa
com o sabor, o clareamento do rosado é um inegável
fator que tem a ver com seu novo sucesso”.
O
boom do rosado não acontece apenas em território
francês. A Espanha exibe atualmente doze vinhos rosados
pertencentes à DOC de Rioja, que aparecem entre os
37 que têm sido considerados “os melhores
rosados da Espanha”, escolhidos pela revista
“Sibaritas” no seu número correspondente
aos meses de julho-agosto, no que se afirma que, à
parte de em Navarra –tradicional encrave
do rosado-, o “fenômeno cor-de-rosa”
também virou protagonista em outras regiões,
como Castilha, Leão, Jumilha, Somontano e Montsanto
–além, claro, de Rioja.
Devemos
então ficarmos preparados: certamente a moda vai cegar
às costas do sul e neste verão sulamericano
calhar-nos-á tirar as rolhas e curtir “la
vie en rose”.
México,
21 de julio de 2008.
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