Director: Ricardo E. Brizuela - Directora Area Internacional: Rebeca Martínez Juárez - Edición para Brasil y Portugal- © Estudio Ricardo Brizuela
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Tendências
Vinho rosado se impõe no verão europeu

Com um preço dentre seis e dez euros por garrafa, o rosado vive dias de esplendor. Este vinho sempre foi de uma cor que o protelou a um patamar secundário nas preferências dos bons bebedores. No entanto, no verão europeu hoje arrasa em tudo quanto é canto: se espalha por segmentos sociais diversos.


Escreve: Ricardo Brizuela, diretor do Jornal do Vinho.

Estive percorrendo no mês de abril passado alguns chateau e pequenas vinícolas em Bordeaux (França) e me chamou a atenção a oferta de vinho rosado, de excelente qualidade e preços que, na origem, não ultrapassavam três euros.

Como membro do tribunal no Concours Mundial de Bruxelles, poucos dias antes, tinha me dado uma boa impressão a qualidade de vários vinhos desta cor provados em dias diversos; e num jantar particular oferecido pelo meu amigo Alfredo Ruiz, dono do Chateau Fonchereau de Burdeos, ele nos deliciou com seu vinho rosado, que finalmente foi premiado duas vezes.

Obviamente, estes fatos me fizeram lembrar de experiências distintas com este vinho, na Argentina e no México, onde ocasionalmente é possível saborear um bom produto, a pesar de que no último verão pude sim desfrutar em Mendoza de um Ópera Prima de boa feitura, e alguna outra boa marca (lembro especialmente de um excelente rosado da Bodega –vinícola- Norton). O calor mendozino era propício então para o deleite destes excelentes produtos.

Não obstante, agora vou recebendo notícias da Europa que contam que o vinho rosado é a estrela do verão.

Ele precisa de um tratamento especial. Vincent Borne, provador de Paris, diz: “Para fazer um rosado, o método principal, o mais antigo, é o ‘descube’ (ou ‘descubamento’) que, para simplificar, consiste no seguinte: retira-se rapidamente o mosto da cuba de fermentação, antes de que se tinja com as matérias”, embora Borne faça a advertencia de que “existe atualmente um método mais moderno, chamado de ‘prensa’, que utiliza as novas prensas pneumáticas”.

Vale esta ressalva porque antigamente conseguia-se um rosado a que se chamava de “clarete”, produto de um elementar processo de mistura dos vinhos branco e tinto. Obviamente, a qualidade que se obtinha protelou-o à preferência de consumidores de pouca significância.

Hoje, tanto o vinho obtido em prensa quanto o de descube estabelecem as diferenças. Borne explica a mudança desta maneira: “Aproveitando os grandes avanços nos métodos de vinificação, (o rosado) ganhou qualidade e agora atrai os olhares de uma freguesia que antigamente lhe fazia caretas e que hoje se encoraja para lhe pôr preço: de seis a oito euros por um bom rosado de Languedoc, e mais de dez euros por algunas ‘estrelas’ do litoral de Provence ou Bandol. Para a isto se chegar foi necessário também que os viticultores mexeram na cor: mesmo não tendo relação certa com o sabor, o clareamento do rosado é um inegável fator que tem a ver com seu novo sucesso”.

O boom do rosado não acontece apenas em território francês. A Espanha exibe atualmente doze vinhos rosados pertencentes à DOC de Rioja, que aparecem entre os 37 que têm sido considerados “os melhores rosados da Espanha”, escolhidos pela revista “Sibaritas” no seu número correspondente aos meses de julho-agosto, no que se afirma que, à parte de em Navarra –tradicional encrave do rosado-, o “fenômeno cor-de-rosa” também virou protagonista em outras regiões, como Castilha, Leão, Jumilha, Somontano e Montsanto –além, claro, de Rioja.

Devemos então ficarmos preparados: certamente a moda vai cegar às costas do sul e neste verão sulamericano calhar-nos-á tirar as rolhas e curtir “la vie en rose”.

México, 21 de julio de 2008.

 



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