Director: Ricardo E. Brizuela - Directora Area Internacional: Rebeca Martínez Juárez - Edición para Brasil y Portugal- © Estudio Ricardo Brizuela
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Encontros
Movimento em defesa da Uva e dos Vinhos do Brasil

Com a finalidade de promover a defesa da vitivinicultura nacional, os integrantes do Movimento em Defesa da Uva e dos Vinhos do Brasil estão realizando uma série de encontros para a mobilização de viticultores (produtores de uva), vinicultores (produtos de vinho), sindicatos patronais e de trabalhadores, entidades de setores ligados à cadeia produtiva da uva e do vinho, bem como políticos, lideranças e autoridades.


O movimento pretende reunir mais de duas mil pessoas na primeira manifestação pública que será realizada na próxima quinta-feira, 03, em frente ao Palácio Piratini e na Assembléia Legislativa do Estado.

Na última quarta-feira, 25, lideranças do setor receberam o apoio de 19 deputados estaduais que integram a Frente Parlamentar da Vitivinicultura, presidida pelo Deputado Estadual Alberto Oliveira. Na oportunidade, os representantes do movimento puderam explanar sobre a atual situação e as medidas governamentais que vêm agravando a crise na vitivinicultura nacional. Já, na noite de ontem, 26, na cidade de Farroupilha, um encontro reuniu prefeitos, vereadores, lideranças setoriais e empresariais para definir as estratégias de ação do movimento.

Segundo dados levantados pelo movimento, a possibilidade de uma crise no setor vitivinícola nacional vem se agravando nos últimos tempos e pode acabar deixando mais de 100 mil pessoas que vivem da uva e do vinho, sem alternativas de emprego e renda.

A preocupação do setor também é justificada por números que revelam que 50% do mercado nacional de vinhos de mesa já foi tomado por produtos como sangrias e coquetéis (produtos Denorex) e mais de 75% do mercado brasileiro de vinhos finos e espumantes é composto por produtos importados. Além disso, estima-se que entrem no Brasil anualmente 15 milhões de litros de vinhos ilegais, contribuindo para o aumento nos excedentes do produto nacional que, em 2008, atingiu a casa dos 100 milhões de litros, o correspondente a cerca de 140 milhões de quilos de uva que em 2009 poderão não ter destino.

De acordo com o presidente da Câmara Setorial da Uva e do Vinho, Hermes Zaneti, o setor vitivinícola vem atravessando o pior momento de sua história. Por falta de uma política clara para a vitivinicultura no Brasil, soterrada por impostos aviltantes e sem poder contar com uma fiscalização e controle eficiente da entrada de vinhos estrangeiros no país, produtores de uva e de vinho estão ficando sem alternativas de sobrevivência. “Se o Brasil tem condições de prender quem bebe uma taça de vinho e dirige, também tem que ter condições de controlar a entrada de vinho estrangeiro. É nossa responsabilidade fazer chegar às autoridades a atual situação. O que defendemos é o bom senso,” salientou Zaneti.

Ele disse ainda que o Mercosul, construído há 18 anos, é um arranjo entre a indústria de São Paulo e o agronegócio argentino. “Quem está pagando esta conta é o Rio Grande do Sul”, contestou.

Para a presidente do Sindicato das Indústrias do Vinho do Rio Grande do Sul (Sindivinho), Cristiane Passarin, os graves problemas que o setor vem enfrentando estão impedindo o crescimento e desenvolvimento da vitivinicultura brasileira. Segundo ela, por falta de recursos e de controles de estoques, o setor não terá como absorver a produção de 2009. “Precisamos nos unir e lutar pela sobrevivência das 20 mil famílias que dependem do setor. É vitivinicultura brasileira que está em jogo”, destacou.

Segundo o presidente da Comissão Interestadual da Uva, Olir Schiavenin, que representa os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, este movimento é uma questão de sobrevivência.

“Se não resolvermos essa questão do vinho excedente o que os produtores farão com a uva que irão colher na próxima safra? O governo vai ter que retirar 100 milhões de litros de vinho do mercado. Vai ter que pagar a conta, sim”, desabafou Olir. Ele ressaltou ainda que os vinhos argentinos cresceram de 4% para 16% no mercado brasileiro de vinhos finos. “O consumo de vinhos no mercado interno cresceu, mas não de vinhos brasileiros”.

07-julho-08



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