| Encontros
Movimento em defesa da Uva e dos Vinhos do Brasil
Com
a finalidade de promover a defesa da vitivinicultura nacional,
os integrantes do Movimento em Defesa da Uva e dos Vinhos
do Brasil estão realizando uma série de encontros
para a mobilização de viticultores (produtores
de uva), vinicultores (produtos de vinho), sindicatos patronais
e de trabalhadores, entidades de setores ligados à
cadeia produtiva da uva e do vinho, bem como políticos,
lideranças e autoridades.
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O
movimento
pretende reunir mais de duas mil pessoas na primeira manifestação
pública que será realizada na próxima
quinta-feira, 03, em frente ao Palácio Piratini
e na Assembléia Legislativa do Estado.
Na última quarta-feira, 25, lideranças do setor
receberam o apoio de 19 deputados estaduais que integram a
Frente Parlamentar da Vitivinicultura, presidida
pelo Deputado Estadual Alberto Oliveira.
Na oportunidade, os representantes do movimento puderam explanar
sobre a atual situação e as medidas governamentais
que vêm agravando a crise na vitivinicultura nacional.
Já, na noite de ontem, 26, na cidade de Farroupilha,
um encontro reuniu prefeitos, vereadores, lideranças
setoriais e empresariais para definir as estratégias
de ação do movimento.
Segundo dados levantados pelo movimento, a possibilidade de
uma crise no setor vitivinícola nacional vem se agravando
nos últimos tempos e pode acabar deixando mais de 100
mil pessoas que vivem da uva e do vinho, sem alternativas
de emprego e renda.
A preocupação do setor também é
justificada por números que revelam que 50%
do mercado nacional de vinhos de mesa já foi tomado
por produtos como sangrias e coquetéis
(produtos Denorex) e mais de
75% do mercado brasileiro de vinhos finos e espumantes é
composto por produtos importados. Além
disso, estima-se que entrem no Brasil anualmente 15 milhões
de litros de vinhos ilegais, contribuindo para o aumento nos
excedentes do produto nacional que, em 2008, atingiu a casa
dos 100 milhões de litros, o correspondente a cerca
de 140 milhões de quilos de uva que em 2009 poderão
não ter destino.
De acordo com o presidente da Câmara Setorial
da Uva e do Vinho, Hermes Zaneti, o setor vitivinícola
vem atravessando o pior momento de sua história. Por
falta de uma política clara para a vitivinicultura
no Brasil, soterrada por impostos aviltantes e sem poder contar
com uma fiscalização e controle eficiente da
entrada de vinhos estrangeiros no país, produtores
de uva e de vinho estão ficando sem alternativas de
sobrevivência. “Se o Brasil tem condições
de prender quem bebe uma taça de vinho e dirige, também
tem que ter condições de controlar a entrada
de vinho estrangeiro. É nossa responsabilidade fazer
chegar às autoridades a atual situação.
O que defendemos é o bom senso,” salientou
Zaneti.
Ele disse ainda que o Mercosul, construído há
18 anos, é um arranjo entre a indústria de São
Paulo e o agronegócio argentino.
“Quem está pagando esta conta é o
Rio Grande do Sul”, contestou.
Para a presidente do Sindicato das Indústrias do Vinho
do Rio Grande do Sul (Sindivinho), Cristiane Passarin, os
graves problemas que o setor vem enfrentando estão
impedindo o crescimento e desenvolvimento da vitivinicultura
brasileira. Segundo ela, por falta de recursos e de controles
de estoques, o setor não terá como absorver
a produção de 2009. “Precisamos nos unir
e lutar pela sobrevivência das 20 mil famílias
que dependem do setor. É vitivinicultura brasileira
que está em jogo”, destacou.
Segundo o presidente da Comissão Interestadual da Uva,
Olir Schiavenin, que representa os Sindicatos dos Trabalhadores
Rurais, este movimento é uma questão de sobrevivência.
“Se não resolvermos essa questão do
vinho excedente o que os produtores farão com a uva
que irão colher na próxima safra? O governo
vai ter que retirar 100 milhões de litros de vinho
do mercado. Vai ter que pagar a conta, sim”, desabafou
Olir. Ele ressaltou ainda que os vinhos argentinos
cresceram de 4% para 16% no mercado brasileiro de
vinhos finos. “O consumo de vinhos no mercado interno
cresceu, mas não de vinhos brasileiros”.
07-julho-08
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