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Especial
de Ricardo Brizuela,
Diretor do Jornal do Vinho
Quando
a atual presidente, Cristina Fernández de Kirchner,
escolheu o governador da Província de Mendoza,
Julio Cobos, para acompanhá-la na fórmula
presidencial, pareceu que no seu pensamento tinham primazia
critérios eleitoreiros.
A
aceitação de Cobos, ideológicamente
fora do peronismo, sacudiu fortemente os esquemas maniqueístas
da política argentina.
Não
obstante, alí está Cobos como vice-presidente.
Mas a novidade é que ele possui o cargo
e parece que quer exercê-lo. Isso indica o fato dele
ter se proposto mediar na queda-de-braço entre os agraristas
e o Executivo. Uma amostra é que chamou a uma reunião
de governadores de províncias não incondicionais
do Governo nacional, e este –que recorreu a ele como
ferramenta eleitoral- agora lhe cobra esta conduta e o chama
de “paraquedista”.
Porém,
o agora ex governador de Mendoza aproxima-se
do debate com argumentos sólidos, e jornais importantes
como La Nación recolhem
seus pontos de vista.
Como vice-presidente da República,
Cobos tem nas suas mãos um poder que poucos dos seus
predecesores têm exercido plenamente, neste esquema
político argentino, fortemente presidencialista.
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É o presidente natural do Senado federal.
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Provém de uma das províncias –Mendoza-
que mais tem crescido nos últimos tempos, graças
à sua administração como governador de
incentivo à produção e fortíssima
presença internacional.
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Mantém um diálogo íntimo com deputados
da região de Cuyo –da que faz parte Mendoza-
e das outras regiões vinícolas, como Río
Negro e Neuquén, fato que o coloca como interlocutor
privilegiado no contexto do poder do Congresso Nacional. (Vide
opinião de deputados mendocinos a respeito das retenções)
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Pode influenciar alguns governadores -a
pesar da grande dependência de muitos deles,
das decisões do Poder Executivo Nacional-, e é
escutado por conspícuos políticos argentinos.
Agora,
o casal Kirchner
sabe que pode vir a ter dificuldades o projeto
de ratificação das retenções às
exportações –resistido por setores
rurais e da oposição- por eles
enviado ao Parlamento, centro dos debates democráticos.
Além disto, é provável que em decorrência
deste conflito, as decisões relativas a impostos e
taxas voltem ao seu âmbito natural: o Poder Legislativo.
Na Argentina, agorinha há uma luz no
fim do túnel.
Vide matérias relacionadas:
México,
28 de junho de 2008.
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